16/12/2018

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FIAT Uno Attractive 1.0 Flex

 

Neste final de semana precisei de um carro para ir até um aniversário e o carro locado desta vez foi o FIAT Uno Attractive 2016 com motor 1.0. A avaliação desse carro foi um desafio devido às características próprias do carro somados a alguns inconvenientes específicos da unidade avaliada. Entretanto nem tudo é critica ou reclamação e ao avaliar profundamente o carrinho surgiu uma excelente surpresa que eu sempre esperei encontrar em qualquer carro mas que nunca encontrei em nenhum dos carros que já dirigi, aluguei ou avaliei nem mesmo nos mais sofisticados. Acompanhe o passo a passo da avaliação e descubra o que foi que me surpreendeu tanto:

 

Condições do teste:

O carro rodou apenas em perímetro urbano nas cidades de São Caetano do Sul/SP e São Paulo/SP com tempo instável, variando entre nublado e garoa e temperatura abaixo de 15ºC na maior parte do tempo, também enfrentou trânsito pesado mas não caótico.

 

Avaliação do Carro:

 

Posição de dirigir: Os bancos do carro eram pequenos, mas por incrível que possa parecer acomodaram bem (ao menos eu que tenho 1,78m e 105kg, talvez alguém mais robusto e/ou mais alto não fique muito bem acomodado), a regulagem do encosto era milimétrica como em qualquer Uno mas a regulagem não é mais através daquele regulador em formato de vírgula, agora é uma roda que gira para frente e para trás como em um carro normal (palmas para a FIAT).

banco sem ajuste de altura

Faltou um regulador de altura do assento pois achei que o banco estava (pouca coisa) alto. Já os pedais continuam ruins, acelerador, freio e embreagem ficam tão juntos que a probabilidade de se acionar um querendo acionar outro é muito grande (não aconteceu comigo, mas acredito que que em situações de emergência as chances seriam bem grandes).

pedais pequenos e muito próximos um do outro

O volante tinha um bom tamanho, não era pequeno e nem grande, no tamanho certo e não atrapalhou em nenhum momento a visão do painel de instrumentos, entretanto não possuía ajuste de profundidade e nem de angulação. Já os tapetes eram do tipo “mágicos” (daqueles que parecem ter vida própria) e adoravam sumir para debaixo dos pedais, isso acontece quando não são os tapetes originais do carro.

tapetes genéricos que não se encaixam nas travas originais do assoalho

Resumindo tudo, a posição de dirigir não é ruim mas também não é das melhores, regular seria o correto pois não fosse a falta de regulagem da altura do assento e os pedais tão unidos e seria uma boa posição. Mas nem tudo são defeitos, três coisas me surpreenderam neste carro, a alavanca do comando de acionamento das setas de direção, a alavanca do comando de acionamento do limpador de para-brisas e o painel de instrumentos. O comando de acionamento das setas e o de comando de acionamento do limpador de para-brisas eram do tipo “toque leve”. Bastava encostar na alavanca e as setas já eram acionadas, o mesmo ocorreu com o limpador de para-brisas, bastava tocar na alavanca e a palheta do limpador varria o vidro prontamente.

computador de bordo na função temperatura do motor

computador de bordo na função temperatura do motor

Quanto ao painel de instrumentos aparentemente ele não tem nada demais, tem um pequeno e quase invisível conta-giros digital à esquerda, um velocímetro grande, analógico e centralizado e a direita fica o marcador de combustível também digital, mas a “cereja do bolo” é o computador de bordo desse carro que fica bem à frente do motorista no meio do painel de instrumentos com controle no volante e com funções maravilhosas a saber mais abaixo e talvez seja a única coisa a ser sinceramente elogiada neste carro.

 

Espaço interno e conforto: Péssimo se você tem família, esposa e filhos por exemplo, mas se você é solteiro ou solteira e usa o carro apenas no dia a dia para trabalhar ou se deslocar em pequenos trajetos sobretudo na cidade grande, cumpre bem o objetivo. Acabamento espartano, possuía o básico, como vidros elétricos apenas na frente.  A profusão de plásticos duros era absurda entretanto até pode ser considerada normal em um carro dessa categoria, afinal até carros de maior cilindrada (1.6 por exemplo) são assim hoje em dia e no final das contas até que a qualidade do material utilizado não era das piores.  Já a direção era bem leve mas apenas quando precisava ser, em manobras. Do resto não houve do que reclamar.

 

Porta-malas: Quase inexistente e com uma desvantagem adicional, diferentemente da versão anterior do Uno onde o estepe ficava dentro do cofre do motor, nesse modelo o estepe fica sob o assoalho do porta-malas o que será sempre um transtorno caso o porta-malas estiver sendo utilizado e o motorista precisar fazer uso do estepe. Mais uma vez está comprovado que este não é o veículo ideal para longos trajetos e viagens familiares.

 

Ar condicionado: Não era digital e não possuía difusor de ar para quem vai no banco de trás.

Nota: A eficiência do ar condicionado não foi avaliada uma vez que a temperatura externa esteve abaixo de 15ºC na maior parte do tempo. O ar quente sim, foi amplamente utilizado e cumpriu bem sua função, em compensação o carro apresentou um problema estranho nesse item, bastava acionar o ar quente para que se embaçasse quase que imediatamente todos os vidros do carro (a ponto de se precisar ligar o desembaçador traseiro e passar um pano em todos os vidros do carro incluindo ai o para-brisas) como se o carro estive com excesso de umidade na parte de dentro o que me preocupou bastante pois pode significar alguma entrada considerável de água invadindo o compartimento dos passageiros, seja pela borracha das portas, seja pelo assoalho, seja pela tampa traseira ou até mesmo pelo painel. Como não choveu forte (apenas garoou) e a locação durou apenas 2 dias não foi possível identificar a fonte de tamanha umidade presente dentro do carro, mas foi bem preocupante e até perigoso por falta total de visibilidade.

 

Nível de ruído: O carro possuía duas fontes de ruídos que me incomodaram bastante: o primeiro era o painel que em pisos irregulares revelavam alguns “grilos” soltos na área em torno do porta-luvas mas a pior delas foi a tampa do compartimento traseiro (aquele arremedo de porta-malas). Ela insistia em bater fortemente na tampa do motor do limpador do vidro traseiro quando em piso irregular ou qualquer outra ondulação do asfalto a ponto de prejudicar outra avaliação, a da suspensão do carro, não consegui ouvir a suspensão trabalhando (ou batendo) por conta desse item.

 

Vida a bordo: Em termos de facilidades a bordo esse Uno não tinha nada demais, não havia kit multimídia, não havia sistema de som de qualidade, existia apenas um rádio AM/FM com entrada USB com auto-falantes localizados nos painéis das portas dianteiras e traseiras e só, para ser feliz.

 

Suspensão: Ruim como em todo Uno, o carro fica muito alto em relação ao solo o que trás um certo desequilíbrio ao carro sobretudo em uma condução mais rápida e é dura também, parece um Jipe. Não foi possível verificar se ela era barulhenta porque como já foi relatado o barulho interno era intenso.

 

Motor: Senti uma melhora em relação ao último Uno testado. O motor parece estar mais espertinho, entretanto não foi possível avaliá-lo intensamente pois a locação ocorreu apenas na área urbana da Grande São Paulo com limite de velocidade máxima de 60 km/h. Nessa condição e com apenas 3 pessoas a bordo (eu, minha esposa e filha) não houve do que se queixar.

A única reclamação a ser feita neste item refere-se ao momento de partida a frio do motor, em duas oportunidades ao dar-se a partida no motor ele não pegou de imediato, foi preciso acelerar um pouco mais e acionar novamente a partida mas o pedal do acelerador ficava na posição de acionado mesmo após o motor pegar e se tirar o pé o que fazia o giro subir muito rapidamente e aumentar bem o ruído. Não sei dizer se o acelerador travava na posição “acionado” ou se o veículo possui algum sistema de partida a frio que aciona automaticamente o pedal de acelerador ou se o mantêm acionado até o motor estabilizar, o fato é que é bem estranho afinal sabemos que acelerações bruscas com o motor ainda frio prejudicam a durabilidade do mesmo porque o maior desgaste em motores a explosão ocorrem exatamente no momento da partida, uma vez que o motor não se encontra na temperatura ideal de funcionamento e o óleo ainda não chegou em todas as partes internas e vitais do motor, talvez uma locação mais longa de pelo menos 3 ou 4 dias ajudaria a revelar o que de fato estava acontecendo.

 

Câmbio: Regular, sem reclamação, mas sem elogios também. Me parece adequado ao motor e a proposta do carro e mais uma vez reforço que não foi possível testá-lo em uma performance mais esportiva devido a locomoção durante toda a locação ter se dado apenas em perímetro urbano.

 

Comentários Gerais:

 

Pontos Negativos:
1 – A unidade avaliada não tinha alarme, possuía apenas acionamento de travas elétricas na chave do carro.
2 – Tem um defeito no UNO que é assim: se você vira a chave de contato até o segundo estágio do miolo da ignição mas não vai até o terceiro e aciona o motor de arranque para fazer o motor “pegar” de uma só vez, quando for tentar acionar o motor terá que voltar todos os estágios e começar de novo, ou seja, se você vai até o segundo estágio da chave de contato dentro do miolo da ignição mas não aciona o motor de arranque, quando o for fazer terá que voltar com a chave no ponto inicial e começar tudo novamente do ponto zero.
3 – Apesar da chave de contato acionar todas as travas do carro, inclusive a da tampa do porta-malas, para abri-la de fato faz-se necessário que você desça do carro e introduza a chave no miolo da porta, caso contrário a tampa do porta-malas não abrirá.
4 – A unidade locada estava com um forte fedor de cinzas de cigarro, e nem eu e nem minha esposa somos fumantes, e para quem não fuma é bem desagradável ficar confinado (por conta do frio que fazia em São Paulo) em um veículo que fede a cinzas de cigarro.
5 – Consumo, veja detalhes abaixo

 

Pontos Positivos:

computador de bordo na função velocímetro digital

computador de bordo na função velocímetro digital

1 – O computador de bordo que apesar de ter a tela “preto e branco” permite que você alterne entre diversas funções com acionamento no volante do veículo e assim pode-se escolher o “econômetro” ou o velocímetro digital ou 2 odômetros parciais com consumo instantâneo, autonomia e consumo total e uma coisa que sempre procurei e nunca achei em nenhum carro: um horímetro, sim acredite se quiser esse carro possui HORÍMETRO DO MOTOR

computador de bordo na função horímetro

computador de bordo na função horímetro

2 – Pude reparar diferença de apenas 2 km/h na marcação da velocidade entre o velocímetro digital e o que mostrou lombadas eletrônicas para limites de até 50 km/h e diferença de apenas 2 km/h a maior no velocímetro do carro também para lombadas eletrônicas com limite de 40 km/h, ou seja, a diferença de marcação é de apenas 2 km/h a maior no velocímetro do carro do que a realidade para a maioria das lombadas eletrônicas, o que eu acho positivo pois é uma margem de erro bem pequena no meu entender.
3 – A regulagem do encosto do banco do motorista.

 

Considerações Finais:
O horímetro foi uma surpresa muito agradável neste carro porque ele é primordial para determinar a que tipo de uso o motor esteve sujeito desde que o carro saiu da fábrica, explico: Muita gente gosta de comprar carro seminovo ou usado com pouca quilometragem acreditando que um carro com pouca quilometragem é garantia de melhor utilização e maior durabilidade do motor do que aquele carro similar que rodou mais, ledo engano.
Sabemos que a melhor utilização do motor de um carro ocorre quando esse veículo roda a maior parte do tempo de funcionamento com o motor em “temperatura ideal”, sabemos também que um carro que roda “trechos curtos, a baixas velocidades e diários” o motor funciona pouco e dificilmente atinge o ponto ideal de funcionamento, isso é tão sério que todas as montadores recomendam a troca do óleo do motor com maior brevidade (menor quilometragem) daqueles carros que rodam na maior parte do tempo por locais empoeirados ou que rodem trechos curtos a baixas velocidades nos quais o motor não atinge a temperatura ideal de funcionamento.
Trocando em miúdos, um carro de um representante comercial (vendedor) por exemplo que rode muito em estradas diariamente (e nesse caso o motor do carro atinge rapidamente a temperatura ideal de funcionamento) terá rodado ao final de um dia, semana ou meses muito mais quilômetros que um carro similar comprado na mesma data que rode apenas na cidade, entretanto muito provavelmente o motor do carro que rodou mais estará mais saudável que aquele que rodou na maior parte do tempo em trechos urbanos, enfrentou trânsito caótico (que eleva muito a temperatura de funcionamento por falta de ventilação adequada sobretudo em dias quentes) mas como saber? O horímetro é uma ótima ferramenta para se descobrir isso.

No caso do Uno locado o horímetro do motor acusava um total de 668 horas de funcionamento na hora da devolução do carro na locadora contabilizadas desde a sua primeira partida do motor ainda na fábrica. Então tínhamos um carro com 26.572 km rodados com 668 horas de funcionamento do motor e se dividirmos um número pelo outro temos a velocidade média de 39,8 km/h ou seja, o motor daquele carro especificamente rodou desde que saiu da fábrica na velocidade média de quase 40 km/h logo, podemos concluir que ele rodou muito mais tempo na cidade do que em estrada e podemos também concluir que muito provavelmente ele não trabalhou na temperatura ideal na maior parte dessas 668 horas e concluindo, é bem provável que esse motor específico não vá durar o tanto que deveria durar caso ele funcionasse por mais tempo “dentro da temperatura ideal de funcionamento”. Finalizando, apesar de ficar muito contente com este componente específico, no computo geral o carro não agradou e o consumo de Maverick V8 me deixou bem preocupado, mais detalhes abaixo.

 

A pergunta crucial: Independente de preço ou poder aquisitivo, você compraria este carro? Não. Confesso que o horímetro me deixou bem empolgado, mas um carro não é feito apenas de traquitanas, por mais úteis e legais que sejam.

 

A avaliação do carro em números:

 

Custo efetivo da locação: A locação do veículo ficou em R$ 207,40 sendo duas diárias de km livre por R$ 99,99 cada uma mais duas proteções básicas de R$ 28,00 cada uma, mais duas proteções a terceiros de R$ 10,00 cada uma, mais 12% de taxa administrativa R$ 22,22. Ganhei um desconto promocional de 45,41% R$ 45,40 por diária. Com combustível foram gastos outros R$ 27,49. Total Geral: R$ 207,40 ou R$ 4,15 por quilômetro rodado. Retirei o carro na locadora Localiza com 26.519 km e devolvi com 26.572 km. Veículo de cor prata categoria B (carro mil com ar condicionado)

 

Consumo efetivo apurado: Extremamente alto, rodei 50 km em percurso único 100ZERO (100% no trânsito urbano com limite máximo de velocidade de 60 km/h e 0% em rodovia) e o carro consumiu 11 litros de combustível, uma média de 4,5 km/l. (Gasto de R$ 27,49 com o etanol à R$ 2,499 o litro – custo de R$ 0,55 por quilômetro rodado com combustível).

 

O consumo segundo o INMETRO: Para o INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, esse é um veículo de índice C na “Comparação Relativa na Categoria” e na “Comparação Absoluta Geral” é índice B , ou seja, para o INMETRO ele não é um veículo eficiente o ponto de vista do consumo de energia.

Consumo de 8,0 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada para etanol

Consumo de 11,6 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada para gasolina

Este veículo não possui o selo CONPET de eficiência energética. Consulte aqui.

Tabela de consumo do Inmetro 2016 completa e atualizada em 04/10/2016, clique aqui.

 

Dados complementares:

o Air Bag: Sim
o ABS: Sim
o EBD: Sim
o ESP: Não
o Controle de tração: Não
o Controle de rampa: Não
o Isofix: Não

o Cintos de segurança: transversais e abdominais (3 pontos) na frente e atrás (exceto para o assento central do banco traseiro que é apenas abdominal).

 

Ricardo Rico

 

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2 comentários em “Avaliação do FIAT Uno Attractive 1.0 Flex | 26519 km”

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