Aposto como você pensou que seria alguma das FERRARIS do sultão de Brunei, o Rolls Royce da rainha da Inglaterra, o Aston Martin de James Bond ou até mesmo o Volkswagen Bentley do conde Chiquinho Scarpa, não é mesmo?
Engana-se redondamente!
O CARRO USADO MAIS CARO DO MUNDO é o SEU, o NOSSO carro “brasileiro”.
A alíquota de impostos sobre o carro “brasileiro” é tão perversa que causam essas aberrações, vejamos:

Como podemos observar na imagem ao lado, segundo a Consultoria IHS Automotive no Brasil os impostos sobre um automóvel podem chegar a um total de 32%
Ora, se em um automóvel que custa em torno de R$ 30.000,00 – o mais barato – 32% são impostos, o valor do carro sem impostos seria R$ 20.400,00
Já a taxa média de desvalorização dos carros ditos “nacionais” gira em torno de 14% no primeiro ano de uso.
E se a grande maioria dos carros não desvaloriza mais de 14% em um ano de uso (há excessões que veremos mais para frente), temos ai o mesmo carro após um ano de uso valendo pelo menos R$ 25.800,00.
Então temos a seguinte situação: o valor do carro zero sem impostos no nosso exemplo é de R$ 20.400,00 mas após um ano de uso ele vale pelo menos R$ 25.800,00. Ou seja, o comprador desse carro estará comprando um carro usado com 1 ano de uso, pagando o que custa o carro zero sem impostos e ainda abatendo R$ 5.400,00 do total de R$ 9.600,00 do imposto pago pelo primeiro comprador do carro. É óbvio, ninguém consegue comprar carro zero sem impostos, mas veja a que ponto chegamos!
E ainda não é tudo, some-se a isso a alta margem de lucro das montadoras e temos aqui um dos carros mais caros do planeta. Ainda segundo a Consultoria IHS Automotive no Brasil a margem de lucro das montadoras no Brasil é uma das mais altas do mundo e gira em torno de 10%.
Levando-se tudo isso em conta, para ser viável, na atual conjuntura e do ponto de vista estritamente financeiro, um carro seminovo deveria desvalorizar pelo menos 52% em relação ao carro zero km para começar a valer a pena comprá-lo, 32% relativo aos impostos pagos mais 10% relativos à margem de lucro da montadora e mais 10% de desvalorização pelo uso. O que seria um absurdo, sobretudo para quem comprou o carro zero km e pensa em vendê-lo como seminovo um ano depois, afinal um carro de R$ 100 mil valeria apenas R$ 48 mil apos 12 meses.
A conta contrária seria muito mais justa e eficaz, mas ai depende do Governo. Para se enquadrar na margem de 14% de média de desvalorização dos carros no primeiro ano de uso, a alíquota máxima de impostos cobrada sobre o carro zero deveria ser de no máximo 4%, que é o que se paga hoje apenas como IPVA tomando por base a alíquota para veículos a gasolina no Estado de São Paulo. Apenas dessa forma o veículo seminovo passaria a valer a pena de fato.
Como tanto uma quanto a outra situação é praticamente impossível de acontecer, é por isso que nós integrantes do AVALIA CARROS optamos por e recomendamos alugar carro quando se precisa de um, provaremos que em muitas situações sai mais barato. Nossas avaliações e o cálculo do Gasto por Quilômetro Rodado irão ajudar nossos leitores a definirem qual é o melhor carro a se comprar independente de marca ou preço e através de nosso método demonstraremos que:
1 – Se a opção do leitor for pelo automóvel “zero km”, é preciso escolher o que menos desvaloriza.
2 – Se a opção for pelo modelo usado, é preciso escolher aquele que já desvalorizou mais de 52% do seu valor em comparação com o mesmo carro modelo “zero km”.
Seminovo? Nem pensar, é jogar dinheiro fora.
Aguardem novidades.
Em tempo: Lionel Messi é dono do carro usado mais caro do mundo. De acordo com o Financial Times, em fevereiro deste ano Lionel Messi pagou 32 milhões de euros por um Ferrari 335 S Spider Scaglietti. O carro disputou as 12 horas de Sebring de 1957, tendo terminado na sexta posição, e também as 24 horas de Le Mans, onde se tornou no primeiro automóvel a superar os 200km/h em média numa volta ao traçado de La Sarthe. O britânico Stirling Moss pilotou o modelo no Grande Prêmio de Cuba, da Fórmula Um, em 1958.
Ricardo Rico
Você leu o meu artigo anterior sobre o Gasto por Quilômetro Rodado?
Acesse:
Mas também, num país onde carro é “investimento”….
Nosso país é uma aberração em se tratando de impostos.
Inclusive tenho dado algumas sugestões ao presidente da GM para a América do Sul como trazer o Impala, Malibu, VOLT e Corvette dos Estados Unidos ou México para termos aqui os melhores Chevrolet do mundo mas ele informou exatamente isso, enquanto o dólar estiver nas alturas e o imposto levar embora um terço do valor do carro, nem pensar. Pena! Queria um dia poder testar esses carros, vou ter que esperar um pouco mais!
Grande matéria!
Sobre este item: “1 – Se a opção do leitor for pelo automóvel “zero km”, é preciso escolher o que menos desvaloriza.” Eu não sou muito fã desta linha de pensamento.
Acompanhe meu raciocínio:
–> Opção 01: Vale a pena comprar um carro que se “desvaloriza menos” e praticamente não há registros de eficiência em segurança, por exemplo, o queridinho do mercado, Chevrolet Ônix 1.0?
–> Opção 02: Vale a pena comprar um Ford Ka 1.0 que é provado ser um carro muito seguro, mas que desvaloriza mais?
Eu ficaria cegamente com a 2ª opção, pois sofri um acidente de trânsito bem feio, e se meu carro não fosse um dos mais seguros do país eu e minha filha jamais sairíamos andando do acidente. O carro foi dado perda total!
Agora se sua ideia é fazer dinheiro num futuro próximo, vá de opção 01, mas sinceramente não sei se é vantajoso “fazer dinheiro” dessa forma no Brasil…. Viva de carro alugado e aplique seu dinheiro que você vai ter “menos” prejuízo.
Até +
Na verdade a primeira opção é só isso mesmo “uma opção” e você fechou o comentário com chave de ouro:
(Viva de carro alugado e aplique seu dinheiro que você vai ter “menos” prejuízo)
Concordo com você em gênero, número e grau!