Não é segredo que o mercado nacional de automóveis vem enfrentando uma profunda recessão. Os motivos da queda são bem conhecidos, combinando a crise econômica do país, a limitação do crédito e erros de várias montadoras. Vejam abaixo a lista parcial (da metade de Outubro de 16) com os veículos mais vendidos no Brasil:

AUTOMÓVEIS:
1. Chevrolet Onix 6.243
2. Hyundai HB20 5.050
3. Renault Sandero 3.058
4. Chevrolet Prisma 2.479
5. Toyota Corolla 2.344
6. Jeep Renegade 2.250
7. Ford Ka 2.174
8. Honda HR-V 1.654
9. Hyundai HB20S 1.496
10. Fiat Palio 1.393
11. Ford Ecosport 1.357
12. Toyota Etios Hatch 1.339
13. Fiat Mobi 1.326
14. Honda Civic 1.216
15. Fiat Siena 1.146
16. Toyota Etios Sedan 1.081
17. VW up! 1.020
18. Chevrolet Cobalt 956
19. Honda Fit 947
20. Ford Ka+ 930

COMERCIAIS LEVES:
1. Fiat Strada 2.039
2. Fiat Toro 1.557
3. Toyota Hilux 1.237
4. Chevrolet S10 1.222
5. Chevrolet Montana 898
6. Ford Ranger 602
7. VW Saveiro 499
8. Renault Oroch 454
9. Fiat Fiorino 304
10. Mitsubishi L200 302
Os números da lista confirmam um cenário que vem se desenhando desde 2015. Onix e HB20 estão consolidados no topo, com boa margem para os demais concorrentes. A Ford com o Ka e Ka+, aparece na 7ª e 20ª posições, respectivamente. No grupo Fiat o modelo mais vendido continua sendo o Renegade, na frente do Palio e do discutível Mobi. No segmento de comerciais leves a Fiat tem um resultado bem melhor, com o Strada na liderança e o Toro na sequência.
A Volkswagen é a grande decepção da lista dos mais vendidos. O Up! está em 17º lugar entre os carros de passeio; o Saveiro é o 7º entre os comerciais leves. Sei bem que a montadora está sendo afetada pela falta de peças. Ok! Mas isso não é tudo. A montadora alemã vem caindo há muito tempo. Só nos primeiros 9 meses deste ano ela teve uma queda de 37,7% em relação ao mesmo período de 2015. A crise e a falta de peças não explicam o resultado sofrível. O maior motivo de retração é a falta de um “carro do povo”; algo que ela só ostenta no nome. A opção por brigar no segmento de carros médios, SUVs e picapes, foi um grande erro estratégico. Até deveria brigar, mas sem esquecer o modelo mais básico.
Uma situação parecida tirou a Fiat da posição de maior montadora do país. O grupo pode até estar festejando o sucesso da Jeep, mas ele não pode esquecer que isso só ratifica o fracasso das outras apostas, notadamente do Mobi. Não acredito que haja muito para comemorar.
É bem possível que a produção nacional de automóveis se recupere em 6 ou 9 meses. E aí a desculpa da crise não poderá mais ser usada para encobrir os erros. O novo cenário pode ser bem diferente do anterior ao período de crise. O mercado está muito mais fragmentado, diluído. Hegemonia é uma palavra cada vez mais rara. A dança das cadeiras será muito mais acirrada. E alguns podem perder o lugar cativo.
No momento não é possível garantir nada. Mas o futuro próximo promete grandes emoções. E nós estaremos de olho.
(Tony M.)
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Boa análise!
Era tu que faltava aqui!
Excelente análise!
De fato, algumas montadoras estão bem equivocadas ao atribuir apenas à crise a queda nas vendas de seus veículos ou de repente simplesmente não querem admitir que seus carros foram ultrapassados pela concorrência!
O Onix por exemplo, já completou mais de um ano (13 meses seguidos) na liderança do mercado.
É isso, Ricardo. A GM e a Hyundai foram mais espertas, principalmente atualizando sua linha. Hoje colhem os resultados.
A Fiat demorou muito pra apresentar um substituto pro Uno. E errou feio com o Mobi.
A VW nem fez isso, deixou o Gol sem substituto, Agora sofre com o resultado!
As asiáticas nem pensaram em apresentar uma opção. Focaram em outro segmento e agora sofrem com a escolha. E agora temos este cenário atual.
Vamos aguardar. To be continued….
Em tempos de crise todo setor finaceiro trabalha com a seguinte premissa.
–> No auge das vacas gordas eu tinha que vender 100.000 carros pra ter 1 milhão de lucro.
–> Em tempos de crise, investiremos em produtos com maior rentabilidade, de forma que para atingir os mesmos 1 milhão de lucro eu precise vender 10.000 unidades.
Façamos menos esforço para ter o mesmo lucro, mas em contrapartida com pessoal e linha de produção mais enxuta. Por isso se pulveriza tanto em opções de carros “não populares”.
Até +
Mas essa ideia de pulverizar tantos modelos é um tiro no pé. Perdem escala em todas as etapas, desde o início do projeto até o marketing. O custo de cara etapa vai ser dividido por menos unidades. E isso encarece o preço final. É irracional, vai contra a lógica da produção em massa.
Chegamos em Novembro e segue tudo na mesma: vendas em baixa e os preços subindo.
Qual a lógica?