22/01/2026

carros testados e avaliados

Beleza galera!

 

O ser humano é fantástico, em sua essência. Sua capacidade de criação, de transformar ideias em soluções para o cotidiano chega a ser assustador. Baseado nisto, e obviamente excluindo o fator financeiro, o ser humano sempre busca soluções para atender as suas comodidades. Em outras palavras, sempre busca resolver seus problemas, de forma que se faça o menor esforço possível.

 

O advento do automóvel é um exemplo prático, que mudou a forma como o ser humano se desloca pelo mundo a fora, e vai continuar evoluindo a ponto de não precisarmos mais dirigir.

 

Obviamente o automóvel passou por inúmeras melhorias e aperfeiçoamentos para tornar o deslocamento das pessoas o mais cômodo possível, pois em sua essência, o automóvel é apenas um meio de transporte. Então vamos dar uma pincelada sobre a evolução tecnológica que as transmissões de marchas receberam ao longo dos anos, e entender como surgiram soluções extremamente úteis, e porque não também, as “gambiarras” tecnológicas.

Mensagem das locadoras de veículos nos EUA.

Mensagem das locadoras de veículos nos EUA.

 

PORQUE AUTOMATIZAR TRANSMISSÕES?

As transmissões dos veículos foram e ainda são foco de constante estudo para atingir dois principais objetivos:

–> Comodidade

–> Eficiência energética

Basicamente um sistema de transmissão consiste em transferir a energia gerada pelo motor para as rodas, pois infelizmente um motor a combustão não entrega a mesma quantidade de potência em todas as faixas de rotações, então há sempre a faixa de uso, além claro das leis da física que se impõe sobre o veículo. Nos carros elétricos não temos este tipo de problema relacionado a faixa estreita de potência máxima, pois toda potência do motor está disponível a todo tempo.

 

Para contextualizar melhor, imagine a seguinte situação:

–> Você é um ciclista e tem uma potência X para transferir nas rodas da sua bicicleta.

–> Para transferir a força de suas pernas para o rodado você terá que utilizar um conjunto de engrenagens que lhe permita conseguir a maior velocidade possível em todas as condições de uso. São os conjuntos de coroa e pinhão.

–> Se você utilizar somente uma marcha, você terá um dilema para resolver: Ou utiliza uma relação que traga facilidade no arranque, mas fique sem velocidade, ou vice-versa. Faça o teste você mesmo: Se sua bicicleta tiver marchas, coloque na posição de marcha “pesada” (coroa grande pinhão pequeno) e tente sair da inércia. Repita o processo, mas com marchas “leves” (coroa pequena pinhão grande) e tente manter alta velocidade sem perder potência.

–> Para resolver este dilema, basta ter um conjunto de relação de marchas que possa ser trocada durante o movimento e não comprometa o arranque e velocidade.

 

Originalmente as transmissões demandavam muita habilidade dos condutores para fazer os veículos se moverem de forma eficiente, e inclusive não havia padrão na forma de como utilizar as transmissões. Por muitos anos as pessoas faziam muito esforço para trocar de marchas, até que houve o advento do câmbio automático, ou simplesmente transmissão automática. As pessoas não precisariam se incomodar em trocar de marchas.

 

ORIGEM DOS CÂMBIOS AUTOMÁTICOS

Franceses Louis-René Panhard e Emile Levassor são reconhecidos pela invenção da transmissão automática em 1894, mas foi Thomas Sturtevant de Boston, Massachusetts, que projetou a primeira transmissão automática em 1904. A patente foi vendida à GM por US$ 10.000,00 em 1932, e os primeiros veículos produzidos em série foram em 1939, com o tradicional câmbio chamado por décadas aqui no Brasil de hidramático. Os brasileiros José Braz Araripe e Fernando Lehly Lemos tem muita parte nesta história.

 

TIPOS DE CÂMBIO NA ATUALIDADE

Basicamente existem dois tipos:

 

–> Automáticos

Utiliza o conceito da transmissão criada em 1894. Cada engrenagem planetária tem três partes principais: a engrenagem coroa, a planetária propriamente dita e seu suporte, e a chamada engrenagem solar, na qual a engrenagens planetárias giram.

Um outro conjunto mecânico interno faz o acionamento e estabelece as relações de marcha. O conversor de torque é responsável por transferir a força do motor para o câmbio, e posteriormente para as rodas.

Confira abaixo como estas engrenagens funcionam.

 

–> Automatizados

Este tipo de transmissão é diferente em sua essência comparado com o câmbio automático. Basicamente é uma transmissão manual acionada por engrenagens robóticas e controladas eletronicamente, e por isso é chamado por muitos de transmissão semi-automática.

Gambiarra detected? Não!

Este tipo de transmissão foi utilizado inclusive na F-1 nos áureos anos 90.

A solução é mais antiga do que se imagina. De 1961 até 1967 a DKW oferecia o seu câmbio semi-automático Saxomat, só que o seu sistema funcionava por contrapesos e centrífuga.

 

–> CVT

O câmbio CVT é um câmbio exótico, pois ele simula um marcha única infinita, e permite que o motor trabalhe na melhor faixa de rotação de forma contínua.

 

MONTADORAS BRASILEIRAS QUE ADOTARAM OS AUTOMATIZADOS

No Brasil ter um carro com transmissão automática é um conforto que vale muito a pena na maioria dos grandes centros urbanos, mas infelizmente tem um custo alto no valor do veículo. Então para baratear o custo ao consumidor, mas entregar um sistema de trocas de marchas automatizada, várias empresas adotaram os semi-automáticos.

–> Dualogic, da FIAT

–> Easytronic, da Chevrolet

–> I-Motion, da Volkswagen

–> Powershift, da Ford

–> Easy-R, da Renault

–> 2-Tronic, da Peugeot

–> I-Shift, da Honda

–> SMT, da Toyota

Mas nem tudo são flores, pois as transmissões automatizadas são muito lentas nas trocas de marchas, e isso o consumidor percebe e torce o nariz, pois quem busca um carro automático busca agilidade e não “soluços”.

 

Empresas que fabricam pesos pesados utilizam as transmissões automatizadas há anos, como o OptiCruise da Scania e o I-Shift da Volvo. O foco neste caso é principalmente na eficiência energética, pois a forma de conduzir um veículo a diesel é diferente de um motor ciclo Otto, e é provado que o câmbio automatizado nos brutos rende muita economia de combustível.

 

Como este tipo de tecnologia permite maior flexibilidade no desenvolvimento e com um custo relativamente baixo, algumas melhoraram bastante implementando eletrônica sofisticada, e em muitos casos duplo sistema de embreagem, para diminuir o tempo de troca de marchas.

 

Algumas empresas conseguiram ter resultados bem melhores usando transmissões semi-automáticas ao contrário das automáticas, e com desempenho assustador. É o caso dos câmbios PDK da Porsche e DSG da Volkswagen.

 

CUSTO DE MANUTENÇÃO

Conforme citado anteriormente, quando você opta por um veículo transmissão automática o custo do carro se eleva, e na maioria dos casos encarece em 7% ou mais no valor total. Um câmbio automatizado tem um custo menor, algo em torno de 3% a mais no valor total. Fazendo uma conta básica, segue o exemplo:

–> Valor do veículo transmissão manual: R$ 50.000,00

–> Valor do veículo transmissão automática: R$ 53.500,00 (ou mais)

–> Valor do veículo transmissão automatizada: R$ 51.500,00

 

Olhando assim friamente vários consumidores optaram pela transmissão automatizada, contudo não colocaram na ponta do lápis que a longo prazo estas transmissões tem um custo de manutenção muito mais elevado que a transmissão automática, e inclusive a transmissão manual.

 

Lembro que um caso de uma Chevrolet Meriva que estava na oficina do meu colega para manutenção do seu câmbio Easytronic. Na época (2012) a troca de um kit de embreagem de transmissão manual era algo em torno de R$ 300,00 de peças + R$ 200,00 de mão de obra. A Meriva Easytronic custava R$ 800,00 de peças + R$ 400,00 de mão de obra, pois o sistema utiliza atuadores que precisam de substituição e a mão de obra é bem mais complexa e demorada.

 

O QUE O FUTURO NOS RESERVA

Atualmente os câmbios automatizados estão cada vez mais em baixa, pois além de grande parte deles não trazer o mesmo conforto e eficiência dos câmbios automáticos, eles são caros e apresentam mais problemas, fazendo o consumidor visitar muitas vezes a concessionária. Além disso tem a lentidão nas trocas, que irritaram muitos consumidores.

 

Os casos mais evidentes são o do câmbio DSG da Volkswagen, que apresentava muito barulho em ruas esburacadas e irritavam seus consumidores, e o Powershift da Ford, que além de problemas eletrônicos apresentava trepidações nas acelerações e até casos de pane e parada total.

Sistema Anti-furto nos USA

Sistema Anti-furto nos USA

 

Como as montadoras não são tão bobas assim e viu vários clientes abandonando a marca por causa destes “Franksteins”, aos poucos elas estão retirando as transmissões semi-automáticas de seu portfólio. Algumas versões da Volks/Audi voltaram a ter o câmbio Tiptronic automático, e a Ford abandonou de vez o Powershift nos EUA e Canadá.

 

Apesar de ainda ser uma transmissão de custo alto, eu aposto minhas fichas nas transmissões CVT, pois seu conforto ao rodar é imbatível, e sua evolução nos últimos anos foi considerável. Mas é fato que veículos com transmissões manuais serão objetos obsoletos, mas ainda terão seus entusiastas cativos.

 

Grande abraço!
Eder Matias

 

Notícias

One thought on “Sopa de letrinhas das transmissões”

Deixe um comentário para Tony Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Arquivos

Nosso Feed