Beleza galera!
O ser humano é fantástico, em sua essência. Sua capacidade de criação, de transformar ideias em soluções para o cotidiano chega a ser assustador. Baseado nisto, e obviamente excluindo o fator financeiro, o ser humano sempre busca soluções para atender as suas comodidades. Em outras palavras, sempre busca resolver seus problemas, de forma que se faça o menor esforço possível.
O advento do automóvel é um exemplo prático, que mudou a forma como o ser humano se desloca pelo mundo a fora, e vai continuar evoluindo a ponto de não precisarmos mais dirigir.
Obviamente o automóvel passou por inúmeras melhorias e aperfeiçoamentos para tornar o deslocamento das pessoas o mais cômodo possível, pois em sua essência, o automóvel é apenas um meio de transporte. Então vamos dar uma pincelada sobre a evolução tecnológica que as transmissões de marchas receberam ao longo dos anos, e entender como surgiram soluções extremamente úteis, e porque não também, as “gambiarras” tecnológicas.
PORQUE AUTOMATIZAR TRANSMISSÕES?
As transmissões dos veículos foram e ainda são foco de constante estudo para atingir dois principais objetivos:
–> Comodidade
–> Eficiência energética
Basicamente um sistema de transmissão consiste em transferir a energia gerada pelo motor para as rodas, pois infelizmente um motor a combustão não entrega a mesma quantidade de potência em todas as faixas de rotações, então há sempre a faixa de uso, além claro das leis da física que se impõe sobre o veículo. Nos carros elétricos não temos este tipo de problema relacionado a faixa estreita de potência máxima, pois toda potência do motor está disponível a todo tempo.
Para contextualizar melhor, imagine a seguinte situação:
–> Você é um ciclista e tem uma potência X para transferir nas rodas da sua bicicleta.
–> Para transferir a força de suas pernas para o rodado você terá que utilizar um conjunto de engrenagens que lhe permita conseguir a maior velocidade possível em todas as condições de uso. São os conjuntos de coroa e pinhão.
–> Se você utilizar somente uma marcha, você terá um dilema para resolver: Ou utiliza uma relação que traga facilidade no arranque, mas fique sem velocidade, ou vice-versa. Faça o teste você mesmo: Se sua bicicleta tiver marchas, coloque na posição de marcha “pesada” (coroa grande pinhão pequeno) e tente sair da inércia. Repita o processo, mas com marchas “leves” (coroa pequena pinhão grande) e tente manter alta velocidade sem perder potência.
–> Para resolver este dilema, basta ter um conjunto de relação de marchas que possa ser trocada durante o movimento e não comprometa o arranque e velocidade.
Originalmente as transmissões demandavam muita habilidade dos condutores para fazer os veículos se moverem de forma eficiente, e inclusive não havia padrão na forma de como utilizar as transmissões. Por muitos anos as pessoas faziam muito esforço para trocar de marchas, até que houve o advento do câmbio automático, ou simplesmente transmissão automática. As pessoas não precisariam se incomodar em trocar de marchas.
ORIGEM DOS CÂMBIOS AUTOMÁTICOS
Franceses Louis-René Panhard e Emile Levassor são reconhecidos pela invenção da transmissão automática em 1894, mas foi Thomas Sturtevant de Boston, Massachusetts, que projetou a primeira transmissão automática em 1904. A patente foi vendida à GM por US$ 10.000,00 em 1932, e os primeiros veículos produzidos em série foram em 1939, com o tradicional câmbio chamado por décadas aqui no Brasil de hidramático. Os brasileiros José Braz Araripe e Fernando Lehly Lemos tem muita parte nesta história.
TIPOS DE CÂMBIO NA ATUALIDADE
Basicamente existem dois tipos:
–> Automáticos
Utiliza o conceito da transmissão criada em 1894. Cada engrenagem planetária tem três partes principais: a engrenagem coroa, a planetária propriamente dita e seu suporte, e a chamada engrenagem solar, na qual a engrenagens planetárias giram.
Um outro conjunto mecânico interno faz o acionamento e estabelece as relações de marcha. O conversor de torque é responsável por transferir a força do motor para o câmbio, e posteriormente para as rodas.
Confira abaixo como estas engrenagens funcionam.
–> Automatizados
Este tipo de transmissão é diferente em sua essência comparado com o câmbio automático. Basicamente é uma transmissão manual acionada por engrenagens robóticas e controladas eletronicamente, e por isso é chamado por muitos de transmissão semi-automática.
Gambiarra detected? Não!
Este tipo de transmissão foi utilizado inclusive na F-1 nos áureos anos 90.
A solução é mais antiga do que se imagina. De 1961 até 1967 a DKW oferecia o seu câmbio semi-automático Saxomat, só que o seu sistema funcionava por contrapesos e centrífuga.
–> CVT
O câmbio CVT é um câmbio exótico, pois ele simula um marcha única infinita, e permite que o motor trabalhe na melhor faixa de rotação de forma contínua.
MONTADORAS BRASILEIRAS QUE ADOTARAM OS AUTOMATIZADOS
No Brasil ter um carro com transmissão automática é um conforto que vale muito a pena na maioria dos grandes centros urbanos, mas infelizmente tem um custo alto no valor do veículo. Então para baratear o custo ao consumidor, mas entregar um sistema de trocas de marchas automatizada, várias empresas adotaram os semi-automáticos.
–> Dualogic, da FIAT
–> Easytronic, da Chevrolet
–> I-Motion, da Volkswagen
–> Powershift, da Ford
–> Easy-R, da Renault
–> 2-Tronic, da Peugeot
–> I-Shift, da Honda
–> SMT, da Toyota
Mas nem tudo são flores, pois as transmissões automatizadas são muito lentas nas trocas de marchas, e isso o consumidor percebe e torce o nariz, pois quem busca um carro automático busca agilidade e não “soluços”.
Empresas que fabricam pesos pesados utilizam as transmissões automatizadas há anos, como o OptiCruise da Scania e o I-Shift da Volvo. O foco neste caso é principalmente na eficiência energética, pois a forma de conduzir um veículo a diesel é diferente de um motor ciclo Otto, e é provado que o câmbio automatizado nos brutos rende muita economia de combustível.
Como este tipo de tecnologia permite maior flexibilidade no desenvolvimento e com um custo relativamente baixo, algumas melhoraram bastante implementando eletrônica sofisticada, e em muitos casos duplo sistema de embreagem, para diminuir o tempo de troca de marchas.
Algumas empresas conseguiram ter resultados bem melhores usando transmissões semi-automáticas ao contrário das automáticas, e com desempenho assustador. É o caso dos câmbios PDK da Porsche e DSG da Volkswagen.
CUSTO DE MANUTENÇÃO
Conforme citado anteriormente, quando você opta por um veículo transmissão automática o custo do carro se eleva, e na maioria dos casos encarece em 7% ou mais no valor total. Um câmbio automatizado tem um custo menor, algo em torno de 3% a mais no valor total. Fazendo uma conta básica, segue o exemplo:
–> Valor do veículo transmissão manual: R$ 50.000,00
–> Valor do veículo transmissão automática: R$ 53.500,00 (ou mais)
–> Valor do veículo transmissão automatizada: R$ 51.500,00
Olhando assim friamente vários consumidores optaram pela transmissão automatizada, contudo não colocaram na ponta do lápis que a longo prazo estas transmissões tem um custo de manutenção muito mais elevado que a transmissão automática, e inclusive a transmissão manual.
Lembro que um caso de uma Chevrolet Meriva que estava na oficina do meu colega para manutenção do seu câmbio Easytronic. Na época (2012) a troca de um kit de embreagem de transmissão manual era algo em torno de R$ 300,00 de peças + R$ 200,00 de mão de obra. A Meriva Easytronic custava R$ 800,00 de peças + R$ 400,00 de mão de obra, pois o sistema utiliza atuadores que precisam de substituição e a mão de obra é bem mais complexa e demorada.
O QUE O FUTURO NOS RESERVA
Atualmente os câmbios automatizados estão cada vez mais em baixa, pois além de grande parte deles não trazer o mesmo conforto e eficiência dos câmbios automáticos, eles são caros e apresentam mais problemas, fazendo o consumidor visitar muitas vezes a concessionária. Além disso tem a lentidão nas trocas, que irritaram muitos consumidores.
Os casos mais evidentes são o do câmbio DSG da Volkswagen, que apresentava muito barulho em ruas esburacadas e irritavam seus consumidores, e o Powershift da Ford, que além de problemas eletrônicos apresentava trepidações nas acelerações e até casos de pane e parada total.
Como as montadoras não são tão bobas assim e viu vários clientes abandonando a marca por causa destes “Franksteins”, aos poucos elas estão retirando as transmissões semi-automáticas de seu portfólio. Algumas versões da Volks/Audi voltaram a ter o câmbio Tiptronic automático, e a Ford abandonou de vez o Powershift nos EUA e Canadá.
Apesar de ainda ser uma transmissão de custo alto, eu aposto minhas fichas nas transmissões CVT, pois seu conforto ao rodar é imbatível, e sua evolução nos últimos anos foi considerável. Mas é fato que veículos com transmissões manuais serão objetos obsoletos, mas ainda terão seus entusiastas cativos.
Grande abraço!
Eder Matias


Boa aula sobre os câmbios e as diferenças entre cada tipo.
Maldade esse meme no final. Mas é merecido!