19/09/2019

carros testados e avaliados

Eder Matias avaliou o Onix 1.0 LT
Chevrolet Onix LT 1.0 Flex

 

Aluguei e avaliei este carro, e o resultado da avaliação foi este:

 

Posição de dirigir:

O carro não tinha bancos de couro e nem ajuste elétrico – nem mesmo para o motorista – e apesar de acomodar bem o meu corpo de 1,78m de altura e de ter regulagem da altura do assento em separado do encosto – através de uma pequena roda – e de profundidade e inclinação do encosto – através de alavancas – estava difícil de encontrar uma posição confortável, explico o porquê: ao fazer todas as regulagens possíveis o encosto possuía um ressalto que me pegava nas costas bem na altura dos rins e me incomodava – para que o leitor possa ter uma ideia do que estou tentando explicar é como se alguém de pernas compridas estivesse sentado no banco de trás com ambos os joelhos encostados no encosto do banco do motorista e essa sensação só passou depois que eu coloquei uma jaqueta bastante acolchoada por conta do frio que estava fazendo, ou seja, ao meu ver pode estar faltando “enchimento” ou uma espuma mais espessa no encosto do banco do motorista. E isso que o carro estava com apenas 11649 km rodados imagine quando estiver com 30 mil km, é capaz da armação do banco “marcar” as costas do motorista caso este esteja vestido com uma camiseta.

Os instrumentos do painel de leitura que em parte é digital (o odômetro é analógico) são bem claros, mostram bem as principais funções e tem ajuste de intensidade de brilho. A parte digital do painel de leitura de instrumentos do Onix me fez lembrar dois ícones da Chevrolet Brasil nos anos 80 e 90 o Monza Classic EF 500 (EF de Emerson Fittipaldi) e o Kadett GSi (apesar de que o painel desses dois eram mais completos). Ainda sobre o painel digital achei bem legal ter um velocímetro digital para “comparar” com mais precisão a informação de velocidade de algumas lombadas eletrônicas, explico: Como o painel de informação da velocidade detectada dos equipamentos chamados de lombadas eletrônicas também é digital ficou mais fácil de perceber a diferença que existe entre a marcação do velocímetro do carro com a velocidade real – considero a informação das lombadas eletrônicas como real porque até onde sabemos são velocidades aferidas – ou seja, se não correspondem com a realidade é a que mais se aproxima ou deveria se aproximar desta. Dessa forma pude reparar diferença de até 5 km/h na marcação da velocidade entre o velocímetro e o que aferiu a lombada eletrônica para limites de até 50 km/h e diferença de até 4 km/h a maior no velocímetro do carro para lombadas eletrônicas com limite de 40 km/h, ou seja, a diferença de marcação gira em torno de 10% a maior no velocímetro do carro do que a realidade o que eu acho positivo pois colabora para evitar multas por infração de velocidade por causa de poucos quilômetros por hora acima da velocidade máxima permitida. Apesar de ter gostado bastante do velocímetro digital senti falta de um marcador de temperatura do motor que neste carro é inexistente. Veja mais detalhes em “motor” e “câmbio”.

O volante tem um bom tamanho, não é pequeno e nem grande, no tamanho certo e dessa forma não atrapalha a visão do painel de instrumentos mas a única coisa que ele faz além de direcionar o carro é buzinar, sim o único item adicional ao volante do Onix LT que eu aluguei é a buzina, não tem controle de rádio e nem ajustes de profundidade ou angulação na coluna de direção, é bem pobre mesmo.

Ainda sobre a posição de dirigir, uma coisa me chamou a atenção: a proximidade entre os pedais de acelerador, freio e embreagem, eles são tão próximos entre si que pude reparar que mesmo com apenas 11649 km rodados o protetor de borracha que protege o pedal do freio estava extremamente gasto em sua ponta inferior direita, em contrapartida o mesmo protetor de borracha que protege o pedal da embreagem estava extremamente gasto – a ponto de nem ter mais desenho – em sua ponta inferior esquerda o que denota que não apenas eu mas a maioria dos motoristas que dirigiram aquele carro por mais de 11 mil km pisaram na maior parte do tempo nessas extremidades com o objetivo de manterem os pés minimamente afastados. Eu por exemplo tenho pés largos e além de ter que pisar no freio e na embreagem dessa forma “irregular” o que sobrecarrega os ligamentos e os músculos podendo com o tempo causar algum tipo de lesão ou dor, ou seja, é ergonomicamente incorreto, penso que também pode ser perigoso em situações específicas como as de emergência, dessa forma acredito que seja necessário a Chevrolet verificar melhor esse item, pois pisar em dois pedais ao mesmo tempo é bem provável de acontecer.

No geral, a posição de dirigir é sofrível por conta de tudo o que foi relatado acima.

 

Direção:

A direção hidráulica permite uma condução muito segura, é mole apenas quando necessária, ou seja, em manobras e à baixa velocidade.

 

Espaço Interno:

Usei apenas para passear com filha e esposa, nessas condições, sobrou espaço.

 

Conforto:

Tem um acabamento bem espartano como todo carro dessa categoria mas entre os veículos da categoria ele é um dos melhores pois já dirigi carros bem piores. Apesar do carro possuir ar condicionado em nenhum momento ele foi utilizado, o clima do lado de fora estava frio o suficiente e com isso não houve a necessidade de utilização, pelo contrário, o que eu usei em alguns momentos foi o ar quente.

 

Suspensão:

Média. Me pareceu um pouco barulhenta em pisos irregulares e um pouco dura para um Chevrolet tradicional, tanto que era possível ouvir alguns “grilos” soltos no painel do carro próximo a abertura do porta-luvas. E se um carro com apenas 11649 km já tem “grilos estrilando dentro do painel imagine com 30 mil km. Pode ser que a suspensão seja mais eficiente em uma tocada mais esportiva mas como eu rodei apenas em perímetro urbano e com a profusão de radares em São Paulo nos dias de hoje com limite de 50 km/h de velocidade máxima não me permitiu que eu acelerasse além dos 60 km/h e pudesse experimentar uma tocada mais intensa.

 

Motor:

Outro item que me surpreendeu. O motor 1.0 do Onix ainda é um 4 cilindros mas ao que parece é de uma boa safra. Não ficou devendo nada para os 3 cilindros modernos que estão na moda hoje em dia, com 80 cavalos (58,8 KW/ 78,9 HP) a 6400 rpm abastecido com etanol e 78 cavalos (57,4 KW/ 76,9 HP) a 6400 rpm abastecido com gasolina parecia estar bem dimensionado para o carro e em nenhum momento percebi alguma falta extrema de potência ou “bateção” de válvulas em subidas íngremes, ou seja, pode não ser nenhuma maravilha de motor mas atende bem no trânsito urbano. Entretanto uma coisa me chamou a atenção, depois de uma madrugada fria em São Caetano do Sul (aproximadamente 9°C) ele se recusou a manter aceleração na primeira partida da manhã, pude inclusive ouvir a bomba elétrica de injeção de gasolina para auxiliar na partida a frio funcionando mas não foi suficiente e o motor morreu. Morreu na segunda e na terceira tentativas também, ele só se manteve funcionando após a quarta tentativa de partida e ainda assim ficou tremendo como um paciente em um estado febril extremo o que me preocupou a ponto deu passar no posto de serviço e pedir para olharem o reservatório da partida a frio para ver se havia gasolina dentro do reservatório e sim, estava tudo normal. Esse ocorrido me preocupou bastante porque tudo bem que estava um dia frio mas nem estava tão frio assim a ponto de precisar de 4 partidas. Pensemos no sul do país onde chega a fazer temperaturas abaixo de zero e pronto, não demora muito e será preciso gastar com reparos do motor de arranque por excesso de partidas ou sobrecarga do equipamento.

 

Câmbio:

O câmbio me pareceu bem dimensionado para o carro entretanto pude perceber uma certa imprecisão no engate das marchas quando o conjunto motor/câmbio está ainda frio. Não sei precisar a temperatura do motor em que isso ocorre pois como já foi relatado no item “posição de dirigir” este carro não possui medidor de temperatura do motor.

 

Ponto Negativo:

Consumo, veja detalhes abaixo

 

Ponto Positivo:

A unidade avaliada fechava todos os vidros do carro ao se acionar o alarme, show!

 

Considerações Finais:

Confesso que esperava mais do campeão de vendas a um ano no Brasil. Apesar de fã confesso dos veículos Chevrolet dentro dessa categoria de carros 1.0 eu gostei mais do Hyundai HB20. Talvez a versão 1.4 mais equipada do Onix com Mylink e câmbio automático seja mais interessante porque essa versão LT 1.0 fica a desejar e não é a toa que o Hyundai HB20 já está na vice liderança em vendas. Te cuida GM.

 

A pergunta crucial:

Independente de preço ou poder aquisitivo, você compraria este carro? Não.

 

Custo efetivo da locação:

A locação do veículo ficou em R$ 249,80 sendo duas diárias de R$ 139,99 cada uma mais duas proteções básicas de R$ 28,00 cada uma, mais duas proteções a terceiros de R$ 10,00 cada uma, mais 12% de taxa administrativa R$ 26,76. E ganhei um desconto promocional de 47,48% R$ 66,47 por diária. Com combustível foram gastos outros R$ 28,01. Com estacionamento foram gastos outros R$ 10,00 Total Geral: R$ 287,81 ou R$ 3,13 por quilômetro rodado. Importante deixar um elogio à locadora Localiza que inovou ao adquirir veículos Chevrolet e sair da “mesmice” de oferecer apenas veículos da FIAT, VOLKSWAGEN, FORD E RENAULT. O atendimento também foi nota 10. Enfim, parabéns à Localiza por oferecer veículos diferenciados, afinal diferentemente de quem compra um carro, quem aluga quer sempre uma novidade pois gosta de variar de veículo.

 

Consumo efetivo apurado:

Consumo alto, rodei 86 km em percurso único 100ZERO (100% no trânsito urbano com limite máximo de velocidade de 60 km/h e 0% em rodovia) e o carro consumiu 11,2 litros de combustível, uma média de 7,7 km/l  (R$ 28,01 com o etanol à R$ 2,499 o litro – custo de R$ 0,33 por quilômetro rodado com combustível.)

 

O consumo segundo o INMETRO:

Para o INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, esse é um veículo de índice B na “Comparação Relativa na Categoria” e na “Comparação Absoluta Geral” é índice B também, ou seja, para o INMETRO ele não é um veículo eficiente o ponto de vista do consumo de energia.

Consumo de 7,8 km/l na cidade e 9,2 km/l na estrada para etanol

Consumo de 11,5 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada para gasolina

Este veículo não possui o selo CONPET de eficiência energética. Consulte aqui

Tabela de consumo do Inmetro 2016 completa e atualizada em 04/10/2016, clique aqui

 

Ricardo Rico

 

Interessado em uma segunda opinião sobre este carro? Acesse a avaliação do nosso colaborador Eder Matias de um Onix com 16 mil km rodados:

Avaliando Chevrolet Ônix 1.0 2015/2016 – LT

Rico Avalia

2 thoughts on “Avaliação do Chevrolet Onix LT 1.0 Flex | 11649 km”

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